Se não sabes onde vais, porque teimas em correr?

Os últimos dez dias de viagem não fizeram justiça ao último país do roteiro. Como eu já experimentei em outros lugares, o território pequeno de Portugal engana quem acha que há pouco para se conhecer. Eu terminei deixando muito de fora: o extremo norte, o algarve, pequenas cidades como Nazaré, Batalha, Fátima… Muito vai ficar pra uma próxima vez. E vai haver uma próxima vez. Portugal é apaixonante… é muito “fixe”. E os laços com a cultura brasileira (pra melhor e pra pior) vão muito além do idioma e de uma história conjunta. Minha primeira escala foi o Porto (assim mesmo, com artigo), que também foi minha favorita. Como a maioria das cidades do país, o Porto tem altos e baixos, e o visitante passa metade do seu tempo subindo e descendo ladeiras. Olhe para cima e vai ver a catedral da Sé dominando o cenário, olhe para baixo e vai ver a rua seguindo direto até a Ribeira, a passarela de pedestres que segue ao longo do rio Douro. Siga até o fim e o Mosteiro de São Francisco me encantou num momento da viagem em que eu não achava que eu ainda era capaz de me surpreender. O porto tem uma atmosfera tão agradável, pela arquitetura, pelo rio, pelo vinho, pelas pessoas, que eu podia me ver morando ali feliz, e segui viagem com algum pesar.

A escala seguinte foi uma passagem rápida por Coimbra, famosa como cidade universitária. E a universidade é a grande atração da cidade. Não é particularmente grande, como Coimbra também não é, mas a área da universidade inclui duas catedrais, diversas faculdades, escadas e mais escadas e, ao redor da sua praça principal, a Biblioteca Joanina e a Capela de São Miguel são tão belas que me aborreceu muito não ser permitido tirar fotos de seus interiores. Depois de Coimbra, eu passei por Sintra. No início, minha intenção era visitar Sintra como uma day trip de Lisboa, há quarenta minutos de distância, mas o lugar parecia merecer um pernoite. Eu ainda não consigo imaginar como deve ser exaustivo tentar visitar o Castelo dos Mouros, o Palácio da Pena e a Quinta da Regaleira num único dia. Eles ficam, respectivamente, a uma caminhada de 50, 30 e 15 minutos do centro da cidade. Uma surpresa curiosa foi que eu imaginava Sintra como um equivalente português de Versailles. Um antigo retiro da nobreza convertido em atração turística. Eu imaginava uma cidade de um certo requinte. O que eu encontrei foi algo parecido a uma comunidade hippie. mas os castelos e palácios são incríveis mesmo assim.

A viagem terminou em Lisboa. Que não é mais bela que o Porto, nem impressiona tanto quanto Sintra, nem tem a jovialidade de Coimbra, mas é impossível não se sentir em casa. O bairro de belém é coalhado de pontos turísticos, com a Torre de Belém e o Padrão dos descobrimentos; a Alfama ainda guarda resquícios mouros, com o castelo de São Jorge; a praça central do Róssio, com a estátua de Dom Pedro IV (o nosso Dom Pedro I); o Chiado; a cidade baixa… Comer bacalhau nunca mais vai ser a mesma coisa. Da viagem, agora, só me restava a volta pra casa. Mas o blog ainda tem coisas pra contar.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s