Arrastando o meu olhar como um ímã.

O calor, o calor, o calor! O verão europeu não fica devendo nada ao Brasil! Com temperaturas chegando perto dos 40 graus, o planejamento dos meus dias passou a levar em conta a posição do sol no céu. E minhas noites envolvem debates com colegas de dormitório sobre o ar condicionado.

Eu sinto dificuldades em falar sobre Madrid… ela sempre vai sofrer na comparação com Barcelona. Não há como impedir. Mas quando a gente abre mão de esperar que a capital espanhola seja tão vibrante quanto sua irmã catalã, ela começa a encantar. Plaza Mayor, o marco zero da cidade, é uma praça linda logo no início do dia. Puerta del Sol, nem tanto, mas é animada. Uma tarde no Parque do Retiro sob uma sombra com um bom livro (terceiro volume de a Song of Ice and Fire lá vou eu) é perfeita. Mas o que mais me atraia à cidade, anos antes de pisar nela, eram seus museus. O Museu do Prado era um dos meus objetivos para essa viagem desde que eu aprendi o nome Goya (na verdade, da minha lista de melhores museus do mundo, eu só preciso de uma viagem aos Estados Unidos para visitar todos) e se eu não achei o Museu Reina Sofia no mesmo patamar, lembrar de quando eu estava diante da obra mais famosa do lugar ainda me causa arrepios. Guernica é… Guernica é necessária, eu suponho.

Antes de deixar a Espanha, passei ainda por Salamanca. Eu havia ouvido muitos elogios sobre a cidade, mas a verdade é que a incluí no roteiro somente para dividir meu trajeto para Portugal ao meio e me poupar a longa viagem de ônibus. Que escolha feliz. Que pena não ter separado mais tempo para a cidade. Não que ela exija muito tempo para conhecer, está longe de ser uma cidade grande, ao menos no que diz respeito ao centro histórico. Mas é um lugar tão incrível e envolvente que você não quer ir embora. Eu certamente não queria. As grandes atrações da cidade são a praça central e as duas igrejas (velha e “nova”), tão imponentes que podem ser vistas de quase qualquer ponto da cidade. Mas é a cidade em si que apaixona, pela cor de seus muros, a beleza de suas ruas…

Um fato que eu venho constatando nos últimos tempos é que eu preciso viver num lugar com algum senso de história. É possível que morar numa cidade de cinquenta anos de idade me faça mais mal do que eu me dava conta. Eu preciso de história no meu dia a dia. E Portugal ia me mostrar que eu preciso também do barulho das ondas.

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