Deixa o copo encher até a borda.

Edimburgo é uma das cidades mais lindas no meu roteiro. Por estar numa posição geográfica que não lhe dava muitas possibilidades de expansão, ela terminou crescendo na única direção que podia, para cima. Disso resultou seu atual apelido de Manhattan medieval, com as ruas do centro conectadas por escadarias, terminando no Castelo, construído sobre um vulcão extinto e que passa a impressão de flutuar sobre a cidade. Eu esperava algumas diferenças ao deixar a Inglaterra pela escócia, mas não muitas. Elas fazem parte da mesma ilha, há 300 anos que elas formam parte do mesmo país, quão diferentes poderiam ser? Muito. Desde o sotaque por vezes ininteligível pra mim, até a gastronomia por vezes bizarra.

Eu venho acompanhando a movimentação para o referendo que vai ser realizado em setembro, onde os escoceses vão votar por permanecer ou não como parte do Reino Unido. As pesquisas apontam uma divisão 50/50, o que me fez supor que haveria algum sentimento anti-inglês mas nada de tão forte. Mas a aversão aos ingleses parece ser geral e onipresente. No futebol, eles torcem pra qualquer um que esteja jogando contra a Inglaterra. Ao descrever a história do país, é sempre com um orgulho de vitórias sobre os ingleses. E gostam de lembrar que, quando da unificação, não foi a escócia que se juntou à Inglaterra, foi o Rei Escocês que se tornou Rei Inglês. Depois de escutar uma longa lista das contribuições de escoceses para o mundo, você era deixado com a impressão que desde os tempos da Grécia Antiga nenhum povo fez tanto para afetar o curso dos acontecimentos.

Eu estava em Edimburgo quando a copa do mundo começou, o que intensificou ainda mais a experiência de me apresentar como sendo brasileiro. Agora haviam bandeiras brasileiras por toda parte. Eu ainda tentava evitar o campeonato, como faria se estivesse em casa, mas num país com um pub em cada esquina, isso não era algo fácil. Eu encerrei meu tempo em Edinburgo (os locais pronunciam Edinbroo) com um tour ao norte do país, visitando as highlands, alguns lagos e vilas, chegando até o Loch Ness. Seria um percurso difícil de se fazer por transporte público, então ir como parte de um grupo dentro de uma van numa tour de doze horas foi cansativo, mas necessário.

Depois de Edimburgo, eu passei rapidamente por Glasgow, a segunda cidade da Escócia e bem menos interessante que sua irmã. É uma cidade simpática, especialmente nas ruas destinadas a pedestres, com uma linda catedral, mas não guarda o mesmo charme e beleza de Edimburgo. O cemitério da cidade, numa colina atrás da Catedral, oferece uma bela vista da cidade e é provavelmente o que Glasgow tem de mais atraente. Me faz pensar em tempos atrás, quando a ideia de visitar cemitérios me soava completamente bizarra. As nossas impressões mudam de forma muito sutil. Eu não vou saber de que maneiras essa viagem me mudou até estar de volta à velha rotina.

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