Às vezes os meus dias são de par em par.

O que veio depois da Rússia foi um borrão, quatro cidades em oito dias… mas foi um borrão incrível. Os países bálticos entraram nos meus planos de última hora, ao tomar a decisão de seguir por terra até a Polônia ao invés de voar. E já que eu ia por terra, por que não fazer pequenas escalas ao longo do caminho? Minha passagem por todas essas cidades seguiria um mesmo padrão, com duas noites e um dia para explorar um pouco, geralmente visitando o que a cidade possui de mais famoso, mas dedicando a maior parte do meu tempo a apenas bater perna tentando absorver um pouco do ambiente de cada lugar antes de partir para o próximo. E eu me sinto tão feliz por minha decisão.

Minha primeira escala foi em Tallinn, capital da Estônia, cujo centro histórico é não apenas lindo, mas fora da rota da maioria dos turistas, o que o torna deliciosamente pacato. Com a opção (que eu não tive tempo para aproveitar) de pegar um barco e visitar Helsinki do outro lado do canal. O que eu tive tempo de conhecer foram as igrejas mais antigas da cidade, as muralhas da cidade (que são seu cartão postal), a praça central que hoje reúne os restaurantes mais caros da área, mas ainda é bonita de se ver e uma taverna que se esforça em recriar uma atmosfera medieval, incluindo no menu. E people-watching nunca foi tão bom. Eu e uma amiga ainda nos aventuramos pela cidade moderna, mas foi desapontador. Ao que parece, a cidade antiga é rodeada por prédios empresariais sem grande charme. Um detalhe digno de nota foi na travessia da fronteira russa: primeiro, pela completa falta de burocracia apesar de eu estar entrando a União Européia; segundo, pela beleza da experiência, em que tanto o lado russo quanto estônio da fronteira era marcado pela presença de castelos, separados por um rio.

Depois de Tallinn, veio Riga, capital da Látvia. De novo, o centro histórico é a grande atração. Riga não conta com as muralhas de sua irmã do norte, mas sua catedral é mais imponente e sua praça central é mais linda, especialmente à noite. O grande espetáculo de Riga fica por conta da arquitetura e, nesse caso, até mesmo a parte moderna da cidade é um deleite aos olhos. Por ter ruas que podem se confundir facilmente com Paris ou Berlim, eu vim a descobrir que, nos anos da União Soviética, a cidade era popular como locação para filmes soviéticos que precisassem filmar cenas supostamente passadas na Europa ocidental. Riga também continuou o que eu comecei em Tallinn. Aparentemente, agora eu saia pra tomar cerveja toda noite. Aqui, parecia tão natural quanto respirar.

A escala seguinte foi Vilnius. Por um lado, foi a menos interessante das cidades desse roteiro, mas ainda agradável, especialmente pela área verde. O centro histórico gira em torno da catedral e do que sobrou do castelo, hoje apenas uma torre, mas algumas das igrejas menores eram belíssimas e sentar num banco num parque com um bom livro, procurar esculturas pela cidade (eles tem uma de Frank Zappa que ainda me irrita não ter conseguido localizar) ou caminhar ao longo do rio depois de ter subido uma colina para ter uma visão da cidade inteira não foi nada mal. No mais, a cidade mantinha o padrão que foi um dos grandes atrativos da região: preços de Sudeste Asiático em plena Europa.

A última parada antes de diminuir meu ritmo (um pouco) foi Varsóvia, a capital da Polônia. Embora a Polônia sempre tenha estado nos meus planos de viagem, a capital parecia desinteressante e minha atenção se concentrava mais ao sul. Eu não vou dizer que eu estava errado em minhas expectativas, mas Varsóvia com certeza valeu as 36 horas que passei por lá, principalmente por conta da praça central da cidade. Diferente da regra, as maiores igrejas e prédios do governo não estavam na praça, mas a uns dois blocos de distância. A praça propriamente dita só dispunha de uma estátua ou duas e alguns bancos e era circundada por prédios residenciais, mas esses competiam pelo título de fachada mais bela, a maioria delas contando com um nível de detalhes que me entreteu por um longo tempo.

O ritmo de viagem finalmente acalmou um pouco ao chegar na Cracóvia, mas ela merece um texto à parte.

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