O barquinho vai, a tardinha cai.

Próximo a Xangai há duas cidades que, famosas por lagos, jardins, ilhas e pagodas, eu acreditava que seriam uma boa “fuga da cidade grande”. Na busca por beleza, eu fui muito bem sucedido. Na busca por cidades pequenas, nem tanto.
A primeira delas foi Hangzhou. O foco do turismo da cidade é o imenso Lago Oeste, uma belíssima paisagem cercada por verde, pagodas, praças, pontes, parques, museus e multidões de turistas, em parte por que eu fui infeliz em não perceber que estava passando pela cidade um fim de semana, em parte por que não é possível fugir das multidões na China. O ponto alto da visita foi pegar diferentes barcos de um ponto a outro do lago, incluindo as ilhas (a maior delas se chama Três Piscinas Refletindo a Lua) e a “ponte quebrada”. Foi também em Hangzhou que eu experimentei o quão desagradável é andar de ônibus na China, mas é preciso aturar o lado ruim pra curtir o lado bom, eu suponho.
A segunda cidade foi mais manejável. O ditado local diz que “há o paraíso acima e Suzhou abaixo”. Famosa por seus jardins, que levam nomes como o Jardim do Humilde Funcionário (que, ao estilo do voto de pobreza e celibato católico, de humilde não tem nada) ou o Jardim do Mestre das Redes, eu tenho que dar o braço a torcer que Suzhou atinge as expectativas com louvor e seus jardins são de fato incríveis. O único problema é que, talvez numa prova cabal de que a China já não é comunista há muito tempo, esses jardins estão escondidos atrás de muros e só podem ser visitados mediante ingresso. Se você não souber para onde se dirigir, é possível passear pela cidade e jamais perceber sequer um indício da beleza que ela possui. Outra pérola é o museu da cidade, cujo arquitetura e o uso de luz natural do prédio (o museu foi projetado por I.M. Pei, o arquiteto responsável pela pirâmide de vidro do Louvre e nativo de Suzhou) compete em beleza com as obras de seu interior.
Nos dois casos, eu fico feliz de ter passado por lá, mas eu confesso que eu já andava bem ansioso pra chegar na minha escala final no país. Por mais que a China tenha a oferecer em sua imensidão, nada se compara a Pequim.

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