Enquanto o tempo acelera e pede pressa…

Eu acordei no primeiro de janeiro antes das sete de uma manhã fria e peguei um ônibus local que levou duas horas de Chiang Rai para Chiang Khong, na fronteira com o Laos. Nesse trecho, os dois países são separados pelo Mekong e, não muito tempo atrás, era preciso uma balsa para levar as pessoas de um lado a outro. Hoje, há uma ponte e um serviço de ônibus. Eu fiquei me perguntando quem excercia autoridade sobre esse trecho em que o viajante já saiu da Tailândia, mas ainda não entrou no Laos.
Em Huay Xai, já no Laos, há algumas opções para seguir viagem. Mas os ônibus levam uma eternidade até Luang Prabang em estradas de má qualidade. E os barcos rápidos são considerados perigosos e desconfortáveis. Restam os barcos lentos, que levam dois dias no Mekong até Luang Prabang, mas que interrompem a viagem para se passar a noite na pequena vila de Pak Beng antes de seguir caminho na manhã seguinte. As informações que eu recebia ainda não eram das melhores: “não há cadeiras e você tem que sentar no cão de madeira por horas a fio”, “a água do rio causa doenças”, “os barcos vão lotados e você pode terminar sentado do lado do motor”. Mas ainda era a melhor opção.
E foi se mostrando melhor a cada minuto. Primeiro, as histórias eram exageradas e os barcos dispunham de cadeiras confortáveis, ainda que aparentassem serem cadeiras de vans que alguém apenas colocou dentro do barco. E, se nós eramos cerca de setenta pessoas, havia espaço pra todo mundo. Foi importante lembrar de trazer algo para se comer na viagem e um bom casaco, mas eu nunca fiquei tão feliz com uma escolha. Foram dois dias de paisagens incríveis e conversas agradáveis, numa combinação de rio, mata densa, altas montanhas, pequenos vilarejos, pequenos barcos locais e grandes balsas cheias de turistas.
A noite passada em Pak Beng não foi nada digno de nota, mas nem era pra ser. É o tipo de lugar por onde eu já passei outras vezes, que tira vantagem de estar no meio do caminho para tentar explorar um pouco quem passa por lá. Aliás, para minha surpresa, o laos é ligeiramente mais caro que a Tailândia. Considerando o transporte mais precário, o menor apelo turístico e o ritmo de vida bem mais pacato, eu esperava que fosse o contrário. Pacato não chega a descrever o Laos com justiça. O tempo parecia parar por vezes, enquanto eu alternava meu livro com longos intervalos admirando o jeito como a água tranquila refletia todo o verde ao redor. Meu destino final, Luang Prabang, não seria muito diferente.

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