Vou me encontrar longe do meu lugar.

A maior mudança de planos da viagem foi decidir abrir mão da Oceania por inteiro em favor de mais tempo na Ásia. Por uma infinidade de motivos. Isso me deu condições de fazer uma última escala antes de chegar ao sudeste asiático. Eu só não fazia idéia do quão encantado essa escala ia me deixar. Como já aconteceu em outros casos, eu não tive a chance de conhecer o Nepal a fundo e restringi meus dias ao Vale de Kathmandu, onde estão a capital, algumas cidades históricas menores e as estupas e templos budistas mais importantes do país.
Quando eu disse Namastê para a ìndia pela última vez, eu imaginava que a transição de um país pro outro seria relativamente sutil, sem grandes diferenças culturais que os diferenciassem. É claro que eu estava errado. A mera mudança de religião, do hinduísmo para o budismo, por si só já implicaria em todo um novo cardápio de costumes e tradições. (Acho que foi Quintana quem dizia não entender uma pessoa que troca de religião. “Para que trocar de dúvidas?”) Mas não fica só nisso. A atitude para com o viajante, por exemplo, muda por completo. Sumiram todos os ambulantes pressionando por mais dinheiro, as negociações de preços se tornaram bem mais tranquilas e, se ainda haviam convites para se entrar em lojas, um “não, obrigado” era recebido com tranquilidade.
As pessoas agora usavam máscaras médicas ao andar pelas ruas, apesar da poluição não ser maior do que eu encontrei na Índia, e monges proliferavam por todos os lados. Outra diferença foi a temperatura. Agora, se meus dias giravam em torno de confortáveis quinze graus, as noites caiam para zero grau. Mas permaneciam agradáveis. Os problemas de infra-estrutura permaneciam e Kathmandu tem apagões diários de energia, mas nada que comprometa os planos de ninguém.
Eu pude visitar Swayambhunath e Bodnath, as duas estupas mais veneradas entre os budistas; perambular por Thamel, o bairro mais turístico de Kathmandu, coalhado de restaurantes, hotéis e lojas; admirar a Praça Durbar, seus palácios e seus templos, tão diferentes de qualquer coisa que já vi até hoje; e visitar Patan, cidade contígua a Kathmandu, com sua própria e ainda mais impressionante Praça Durbar. Dois pernambucanos que conheci em Varanasi descreveram Kathmandu e Patan como Recife e Olinda, e eu não consigo achar comparação melhor. Ainda havia muito o que se conhecer no Nepal – hey, o Everest está ali na esquina – e eu espero ter a chance de voltar um dia. Mas eu também me senti muito feliz por ter provado um pouco do lugar.

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