Vão dizer que a vida é passageira.

Antes da Índia, comprar passagens de trem ou ônibus era um processo razoavelmente simples. Se acessava um site ou dirigia-se ao balcão de uma estação, informava-se uma destinação e data, se ouvia um preço, pagava-se o valor e pronto. Mas isso parecia simples demais ara os indianos.
Minhas tentativas de comprar passagens começaram bem antes de chegar aqui. Vários indianos que conheci ao longo da viagem haviam me alertado que passagens eram como ingressos de shows de rock. Esgotavam-se em minutos e eu deveria comprar com a maior antecipação possível.
Bem, existe mais de um site devotado ao serviço. Primeiro problema: cada trem tem um nome específico, aparentemente conhecido por todo indiano que se preze, mas nada familiar a um estrangeiro. E esse nome muitas vezes não guarda qualquer relação com as cidades por onde passa. No primeiro site que eu encontrei, eu necessitava informar não a cidade de que iria partir ou a cidade em que pretendia chegar, mas o nome do trem.
Eventualmente eu cheguei no que se considera a melhor opção online, cleartrip.com. Segundo problema: para finalizar meu cadastro no site, eu necessitava informar os códigos que o site enviara para meu e-mail e para meu celular. Meu celular indiano. Meu celular indiano que eu obviamente não possuia. Ah, mas se você enviar um e-mail explicando sua situação de estrangeiro, o site pode encaminhar para o seu e-mail o código antes enviado para um celular inventado. Problema número três: no fim do processo de compra, também o cartão de crédito utilizado necessitaria ser indiano. E isso anulava qualquer possibilidade de compra online. Cheguei ao país com um itinerário em mente, mas sem nada comprado.
Minha primeira tarefa em Mumbai foi cuidar disso, então. Dentro de uma estação gigantesca, que combinava trens locais com os nacionais, eu levei um tempo considerável para achar o balcão certo, específico para turistas. Lá também, eu precisava dizer o nome do meu trem, horário, classe, etc. Junte isso a uma dificuldade com o idioma, um calor insuportável, uma massa humana ao seu redor e pouco disposta a esperar sua vez e a necessidade de se preencher um formulário diferente para cada compra, e é possível se ter uma idéia do esforço envolvido.
Mas as coisas dão certo no fim e eu saio de lá com minhas primeiras passagens. Primeira escala: Aurangabad. reservo hotel, chego na estação com tempo de sobra para encontrar minha plataforma, me disvencilho dos vendedores eeeee… descubro que, devido a um acidente, o trem foi cancelado. De volta ao hotel, suspeitando que eu jamais deixaria Mumbai, eu ajusto meus planos. Eu abriria mão de Aurangabad e partiria, de ônibus, para Udaipur.
Soa bom? Soa, mas já definimos que isso é simples demais pra Índia.

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