Nesse dia branco, se branco ele for.

As ilhas gregas se contam nos milhares e seria preciso muitas vidas para conhecer tudo. Há ilhas habitadas, ilhas desertas, ilhas enormes, ilhas miúdas, ilhas próximas do continente, ilhas afastadas, ilhas turísticas, ilhas quase desconhecidas dos viajantes, ilhas históricas, ilhas montanhosas, ilhas verdes, ilhas com praias famosas, ilhas para festa, ilhas para romance, ilhas de todos os formatos e para todos os gostos. Um itinerário é montado, portanto, levando-se em conta as preferências de cada pessoa, o tempo disponível e a geografia.
O que eu sabia de antemão é que eu iria usar as ilhas gregas para me aproximar aos poucos da costa da Turquia, o que tornava Rhodes uma escala natural. Sabia também que eu queria conhecer a mais famosa dentre todas elas, Santorini. Isso me deixava com tempo para visitar mais uma. Eu sabia que não tinha qualquer interesse em ilhas-balada, o que descartava Mykonos. Sabia que Creta, infelizmente, era fora de rota e grande demais para o tempo que me sobrava. Eu saí à procura de uma ilha na rota para Santorini, que possuísse a combinação certa entre importância histórica e beleza natural. E foi assim que eu cheguei em Naxos, a maior das Cíclades.
O principal meio de transporte entre as ilhas é por navio e essa é uma experiência à parte. Não apenas pela novidade, depois de meses em ônibus e trens; nem por ter sido uma pequena amostra dos prazeres e desprazeres de como seria uma viagem de cruzeiro, com longas horas num espaço que consegue ser ao mesmo tempo apertado e muito vasto, com diferentes áreas, restaurantes, etc. O que vai ficar na memória, além do vento no rosto, da linha do horizonte e do barulho das ondas, foi o desembarque, quando todos são orientados para a saída (que lembra uma garagem, de mais de uma maneira) e, enquanto a “porta” começa a abrir, toca-se uma melodia infantil, como que de uma caixa de música e que você esperaria ouvir no stand de um sorveteiro, mas que naquela situação soa fora de lugar e te faz pensar em livros do Stephen King.
As praias de Naxos, embora de beleza inquestionável, não me causaram o mesmo impacto que as de Cancun, por exemplo. A água cristalina, a ausência de ondas, tudo era belo, mas não tão diferente do que eu já vi repetidas vezes no Brasil. Naxos me encantou mais pela arquitetura, por meu primeiro contato com o branco e azul tão famoso das ilhas gregas e pelos vestígios de seu tempo como posto veneziano e pelas ruínas de seus templos. Uma gripe me impediu que conhecer o interior da ilha tanto quanto eu gostaria, mas o importante era estar novo em folha para a próxima escala.
Santorini desafia descrições. A história é a seguinte: cerca de quinhentos anos atrás, a ilha foi local de uma das maiores errupções vulcânicas de que se tem conhecimento. A explosão destruiu o centro da ilha e lhe deixou com o formato de lua crescente pelo qual é famosa hoje e o mar se encarregou de ocupar o espaço vazio, deixando à vista somente o cume da caldeira. As vistas são as mais lindas que eu já vi na vida. É impossível tirar uma foto do lugar que não seja perfeita. Por conta do formato da ilha, mesmo uma viagem de ônibus entre cidades é um prazer, permitindo se ver o oceano ora de um lado, ora de outro lado do veículo. Mas o mais incrível da ilha não está na ilha. Não está nem nesse planeta. Eu cheguei na ilha sem entender muito bem como ela pode ser tão famosa por seu por do sol. O poente é o mesmo em qualquer lugar, eu me dizia. Bem, eu ainda não sou capaz de explicar o porquê, nem faço questão. Tudo que eu sei é que, a cada fim de tarde, eu (e todos os outros visitantes da ilha) nos deslocavamos para o lado oeste de Oia – que é uma das duas cidades mais visitadas da ilha, junto com Fira – e passava a última hora hora de luz do sol admirando a sua descida. Eu nunca cheguei a aplaudir o bendito, como algumas outras pessoas se entusiasmavam em fazer, mas eu compreendia. E mal podia esperar pelo dia seguinte.

Uma opinião sobre “Nesse dia branco, se branco ele for.

  1. Oi filho,
    Espero que tenha se recuperado da gripe. Continuo a minha viagem imaginária com você, observando através dos seus olhos, paisagens únicas nas suas peculiaridades. Mandei um e-mail para você. Muita saudade….BJ.

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