Existirmos a que será que se destina?

A chegada em Atenas lembrou a chegada ao Cairo. Por mais diferentes que outros lugares possam ser, nada é mais desconcertante do que se ver circundado por placas, sinais e anúncios em um alfabeto diferente do seu. O fato de que boa parte deles está traduzido para o inglês não alivia a sensação de estar entrando em terra estranha. Além disso, eu cheguei em Atenas sem o mais vago conhecimento do idioma. Eu tento estudar pelo menos as expressões mais básicas de antemão, mas os últimos dias na Itália foram corridos o suficiente para não permitir isso, contribuindo ainda mais para meu desconserto.
Andar por Atenas lembrou andar em Roma. Nada de espantoso a respeito, considerando o quanto a Roma Antiga adotou da Grécia Antiga e o quanto Roma ditou o caminho da história grega depois de se tornar império. Visitar a Acrópole, admirar o Parthenon, ouvir histórias sobre a Agora, sobre o templo de Zeus, sobre o julgamento de Sócrates, sobre a derrota de Marco Antônio e Cleopatra nas mãos de Augusto, sobre os planos de Hadrian para a cidade, você se dá conta do quanto tudo está entrelaçado e do quanto acontecimentos de quase três mil anos atrás ainda influenciam os dias de hoje. (Uma visita a Washington é suficiente para se ver muito da mesma arquitetura das ruínas gregas.)
Andar por Atenas também é como andar por uma cidade pequena. Embora do alto de alguns montes seja possível perceber o quanto a cidade é extensa, para o visitante tudo está compactado dentro de alguns quarteirões facilmente percorridos a pé. E apesar de sua idade, conhecer Atenas toma muito pouco tempo. Além da Acrópole e de algumas ruínas próximas, o Museu Arqueológico é talvez a única atividade indispensável a alguém interessado na história grega. Há algumas vizinhanças agradáveis, coalhando de turistas, e jantar em Plaka não é de todo mal, mas via de regra todos costumam ver Atenas simplesmente como uma pausa rápida no caminho para destinos mais interessantes.
Na minha perspectiva, além de me submergir em história, duas coisas são dignas de nota sobre Atenas: meus gastos caíram pela metade em comparação com a Itália e a comida me pegou completamente de surpresa. Eu poderia passar o resto da vida a base de gyros, souvlaki e baklava e morrer com um sorriso no rosto. Felizmente, eu também acho esse cardápio nas ilhas.

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