Que país é esse? – Itália.

Meus planos de viagem para a Itália já estavam detalhados em minha cabeça muito antes de sequer considerar uma viagem a longo prazo. Eu sabia exatamente onde queria ir e o que queria fazer, eu li cada livro que me apareceu na frente, assisti cada filme que pudesse contribuir com minha apreciação do país. Ao chegar no país, eu me dei conta que não só eu não precisaria de nenhum guia, mas que eu poderia muito bem ser um guia. A Itália também foi o país mais caro do meu roteiro até agora. O fato de que eu consegui manejar meus gastos me deixa muito otimista quanto ao que há de vir.
Em Roma, em me hospedei no Hostel Beautiful, pagando uma diária de 20 euros. Eu não repeti muito do que fiz na minha primeira vez em Roma, mas considero indispensáveis uma visita aos Museus do Vaticano (16 euros), à Galeria Borguese (9 euros) e a um cem número de igrejas, incluindo o Panteão e a Basílica de São Pedro (todas de entrada gratuita). Passagens de metrô custam 1,50 euros, mas você nunca precisa entrar num se não quiser, a cidade sendo muito agradável para caminhadas. Em Nápoles, eu passei duas noites no ótimo La Controra Hostel, por 15 euros. Também aqui, a entrada em igrejas é franca e o Duomo da cidade merece a visita. De resto, o Museu Arqueológico é considerado um dos melhores (11 euros). Mas a maior atração fica por conta de Pompéia, a meia hora de trem. Por 11 euros a entrada, é uma barganha. A Costa Amalfitana é tida como a área mais cara do país, mas não precisa ser. Fiquei no Seven Hostel, próximo de Sorrento, pagando 22 euros por noite, e de Sorrento, é possível alcançar todos os lugares de interesse pagando 3 euros por uma passagem de ônibus para Positano, Amalfi, Ravello e cia., ou 16 euros por um barco para Capri.
Florença também é uma cidade cara, mas tem tanto a oferecer que, no final das contas, um Firenze Pass de 72 euros válido por três dias ainda é um bom investimento, dando acesso (sem filas) a quase todo lugar digno de nota, incluindo os principais museus e igrejas. Me hospedei no Plus Florence, por 20 euros, onde tive uns probleminhas com picadas de insetos. Também serve como base para se conhecer cidades como Pisa, Lucca, San Gimigniano, entre outras, jamais pagando mais do que 5 ou 7 euros por uma passagem de trem. Caminhar por esses lugares, apreciando a beleza da Toscana, o esplendor de sua arquitetura e a riqueza de sua história não custa absolutamente nada.
Em minha passagem rápida por Siena, eu fiquei em um quarto privado no I terzi di Siena (diária de 40 euros), por que o hostel da cidade era afastado demais do centro pra valer a pena. Fazer check-in pode ser uma dificuldade, mas é o único defeito do lugar. Visitar o Museu Cívico e subir a Torre para uma vista incrível da cidade custou 13 euros. Visitar o complexo do Duomo, seu Batistério, Cripta e Museo custou 12 euros e valeu cada centavo. Foi um dos pontos altos de minha passagem pela Itália. Em Bologna, eu me hospedei no simples Il Nosadillo, pelo preço exagerado de 28 euros. E pagar 3 euros para subir a Torre degli Asinelli por 3 euros vale a pena, mas o melhor da cidade tem que ser a comida, com massa caseira fresca à disposição em um grande número de restaurantes.
Veneza talvez seja a cidade mais linda do mundo, Paris que me desculpe. Mas exige esforço para manter custos baixos. Me hospedei por 26 euros no Generator Hostel, na Giudecca, do qual vim a gostar muito apesar da primeira noite muito mal dormida. Um passe para 72 horas de Vaporetto custa 35 dólares e um passe para museus públicos custa 40 euros pelo período de uma semana, mas pode não ser uma boa, já que (exceto pelo Palácio Ducalle) os melhores museus da cidade não estão incluidos no pacote. A entrada para a Accademia custa 13 euros, o ingresso para a Grande Scuola de San Rocco custa 10 euros e uma pessoa sai de lá feliz da vida com o torcicolo de tanto admirar Tintorettos. Verona é outra cidade que, ao meu ver oferece mais ao ar livre do que dentro de sua arena e suas igrejas. É melhor aceitar o fato de que Romeu e Julieta são fictícios e curtir um passeio ao longo do rio enquanto a noite cai. Eu me hospedei no Sleep Easy, pagando uma diária de salgados 25 euros. Exceto a raiva de ficar nas escadas para acessar o wifi, não foi de todo mal.
Cinque Terre é deliciosa. O único hostel da região, Hostel 5 Terre (diária de 25 euros) fica em Manarola e foi um absoluto prazer. Um passe para acesso às trilhas e passagem ilimitada aos trens por dois dias custa 23 euros, mas nem todas as trilhas estão disponíveis simultaneamente. A mais popular delas, Via dell’Amore, está fechada a quase um ano. Minha última escala na Itália, Milão não é a cidade mais bonita. Mas visitar a Última Ceia de Da Vinci (que exige preagendamento com semanas de antecedência – 6 euros) é algo memorável e subir ao topo do Duomo da cidade, um dos maiores do mundo, impressiona apesar da eterna presença de andaimes. Me hospedei no Hostel Burigozzo, a 21 euros por noite.
Viajar de trem na Itália é rápido, barato e oferece paisagens belíssimas. Os preços variam conforme a velocidade do trem e a distância, de maneira que, se uma pessoa viaja aos poucos, para cidades próximas e sem pressa, jamais vai pagar mais do que 20 euros. E comer na Itália… ah, comer na Itália… pode variar de um sanduíche por 3 euros até uma refeição de 30 euros. Geralmente, uma pizza vai ser uma refeição barata, custando entre 6 e 10 euros, uma massa custando um pouco mais a depender da cidade, um prato com carne, frango ou peixe sairia por uns 15 e é possível se esbaldar com gelato num dia quente por algo entre 3 e 5 euros. Vinho tem a maior variação de preço, mas desde que se mantenha distância de um Brunello de Montalcino, quase todo restaurante oferece um “vinho da casa” por algo em torno de 3 a 5 euros, o mesmo preço de um refrigerante.
Praias são gratuitas. A maioria das igrejas também. O mesmo vale para o por do sol. Há muita arte ao ar livre. Há ruínas por todos os lados e história escorrendo dos muros. Itália pode ser um país caro, mas não precisa ser.

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