As coisas tão mais lindas.

Quanto mais para o norte se viaja, mais o francês dá lugar ao espanhol como idioma predominante. Chefchaouen, a mais adorável dentre as cidades marroquinas no meu roteiro, é situada entre as montanhas, mas suas ladeiras e suas casas azuis e brancas lhe dão ares de ilha grega. Como outros lugares por que passei, aqui não há uma lista de coisas para fazer e lugares a se visitar, sendo a própria cidade e a vida que acontece pelas ruas o grande espetáculo.

Virar à direita quando saio do hotel, me leva ao kasbah e ao pequeno centro da cidade, com lojas de artesanato, restaurantes para turistas, árvores floridas, a principal mesquita e trechos do que já foram as muralhas da Medina.

Virando à esquerda, eu chego à uma queda d’água modificada para incluir plataformas planas com a água batendo na altura das canelas, onde senhoras lavam tapetes, adolescentes jogam bola e crianças atiram pedregulhos para vê-los quicar de novo e de novo na superfície da água. Abaixo da plataforma, o córrego retorna a um estado natural até alguns metros depois quando é interrompido por outra plataforma e a cena se repete.

Nos limites da cidade, trilhas permitem que se caminhe até pontos mais altos, para mesquitas afastadas ou mesmo pela montanha, oferecendo vistas incríveis da cidade em diferentes tons de azul.

Uma das pessoas que conheci na cidade, um alemão de nome Samy, tem planos de viagem que eclipsam os meus por completo. Filho de uma argelina com um vietnamita, acontecimentos levaram a sua mãe a ser “expulsa” da família antes do seu nascimento. No Marrocos pela primeira vez, Samy partiu de Chefchaouen dias antes de mim com destino à cidade da sua família, onde esperava encontrar (e, com alguma sorte, ser acolhido) por seus avós maternos, que nem imaginavam que estavam prestes a conhecer o neto. A história de Samy me lembrou, mais uma vez, que uma viagem é bem mais que uma lista de lugares. É nas pessoas que cruzam o nosso caminho que a gente viaja.

Depois de Chefchaouen, minha última escala no país foi Tangier, que lembra Casablanca em muitos aspectos e Alexabdria em muitos outros. Numa mistura de Marrocos, França e Espanha, é o ponto de entrada para quem vem por ferry da Espanha e não posso dizer que eu tenha adorado minha rápida passagem. Crianças de rua em particular são uma presença constante. Mas a cidade tem uma história bastante rica e talvez combine mais com minha idéia hollywoodiana de Casablanca do que Casablanca. Após três noites em Tangier, era hora de voltar pra casa por uns tempos.

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