As minhas meninas, pra onde é que elas vão?

Eu desembarquei em Fes um tanto intimidado por comentários de outros viajantes sobre se tratar de uma cidade-labirinto grande, confusa e mais agressiva que Marrakech. Isso é parcialmente verdade. Fes é mais autêntica que Marrakech, levando sua rotina apesar do turismo e não em razão dele, e o ocasional desconforto que um turista pode sentir se deve mais a se deparar com cenas como as dos infames curtumes da cidade. Aparentemente, graças a uma novela da globo, todo brasileiro é mais familiarizado com eles do que eu, mas seja como for… neles, homens trabalham como numa colméia de tanques onde o couro é tratado primeiro com amônia e depois com a aplicação de corantes, enquanto nós somos convidados a assistir de um terraço de onde é possível tirarmos nossas fotos razoavelmente afastados do fedor de carniça, amônia, esterco e realidade.

Fora dos curtumes, Fes é um redemoinho de cores, sons, texturas e cheiros como nada que eu já vi. Acredito que teria ficado um pouco desapontado com Marrakech se tivesse conhecido Fes primeiro. Embora me perdesse pelas ruas de Marrakech, eu sempre era capaz de retornar a Djemma el Fna, mas em Fes, mesmo com suas tentativas de sinalização, quando me perdia (se perder é inevitável e tentar evitar é inútil), não havia praça para a qual se retornar, não havendo muita saída exceto confiar na orientação de donos de lojas.

Para mim, no entanto, não foi o curtume ou as mesquitas ou os souks ou os portões imponentes da Medina que marcaram a cidade. Por algum motivo, Fes parece atrair muitos brasileiros e, depois de semanas sem avistar um, nove passaram pelo hostel nos dias que eu passei lá. E se eu geralmente evito esse povo feito o Congresso evita o Gilmar Mendes (vide justificativas em post futuro), dessa vez eu tirei a sorte grande e pude curtir a cidade ao lado de minhas curitibanas favoritas, Natália e Laura. Tudo bem que uma delas gosta de camelos um pouco demais e outra deveria ficar longe de sucos de laranja, mas elas são tão doces e passar uns dias com as duas foi tanta alegria do início ao fim, que eu não vou conseguir lembrar de Fes sem lembrar das duas.

E foi um pouco triste quando elas foram para o sul, para Marrakech, enquanto eu me continuava rumo ao norte, para Chefchaouen.

2 opiniões sobre “As minhas meninas, pra onde é que elas vão?

  1. Brunooo!! Estamos e Fez de novo e a cidade não é a mesma sem você. Está tudo lindo, mas falta um pedacinho aqui. Saudade!!

  2. Li o texto e fiquei emocionada. Essa foi uma viagem muito especial para mim, talvez a melhor da minha vida, e você fez parte disso Bruno. Você foi o presente que Fez nos deu! Saudades.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s