Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia.

Era de se imaginar que, tendo passado a minha vida em Brasília, ninguém precisasse me explicar que o fato de uma cidade ser a capital de um país não a torna automaticamente digna de visita. Mas sem me atentar para isso e presumindo que a capital deveria ser também culturalmente relevante e historicamente importante, lá fui eu para Rabat.

Vizinha à Casablanca, Rabat é tão atraente quanto esta, ou seja, não muito. A cidade também me ajudou a confirmar que, fora de Marrakech ou Fes, a rede de hosteis do Marrocos deixa muito a desejar, o que não é um problema tão grande, já que um turista não precisa de muito tempo na cidade. Hospedado de frente a um dos portões da Medina, ela difere da de Marrakech pela ausência de turistas, por vendedores menos agressivos e por um odor muito desagradável. Fora da Medina, se perder pelas ruelas do kasbah com suas paredes azuis e brancas foi algo bem mais agradável, visitar a torre Hassan e o mausoléu do rei Muhammad V foi visualmente gratificante e ter que esperar pela sexta-feira para poder voltar ao meu cuscus diário foi um pouco frustrante.

De Rabat para Méknes, outra das antigas cidades imperiais marroquinas, a lógica da viagem não se alterou muito. É bom poder visitar uma cidade que não te enxerga como uma fonte de renda, mas o brilho de Méknes, de cuja Medina a praça central já foi comparada com a Djemma El Fna de Marrakech, está no passado. Embora não possa ser chamada de turística, a cidade está mais acostumada a receber viajantes de Fes, passando um dia por lá e usando-a como ponto de partida para conhecer as ruínas romanas de Volubilis, o que significa que estão mais do que prontos para triplicar o preço de qualquer coisa quando percebem que você é estrangeiro.

Das duas cidades, eu consegui conhecer um marrocos um pouco mais real, consegui a compreensão de que, nessa minha viagem, eu talvez precise me lembrar que eu não preciso visitar cada cidade digna de nota que eu encontro pelo caminho e consegui alguns dias de descanso em preparo para o que viria depois.

O que vinha depois era Fes.

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