Que país é esse? México e Guatemala.

A primeira coisa que se percebe é que existe mais de um México. Existe o México dos resorts, o México das ruínas maias, o México das cidades pequenas, o México das grandes metrópoles, e visitar cada um deles é uma experiência diferente. O objetivo desse post, como no caso do Peru, é oferecer alguma informação técnica a quem se interessar e, ao mesmo, tempo servir de registro pessoal, mas diferente do Peru, minha passagem pelo México e Guatemala foi bem mais demorada, de maneira que eu vou tentar ir direto ao ponto.

Como regra geral, o sistema de ônibus entre cidades mexicanas é ótimo. A principal empresa ao sul da capital é a ADO, enquanto minha escolha para os trajetos pós-cidade do México ficou com a Primera Plus. Valores variam entre menos de 10 dólares para viagens mais curtas, de uma ou duas horas, e algo nas redondezas dos 50 dólares para trajetos mais longos, entre 8 ou 10 horas. Comer no México, se exige que seu estômago se habitue um pouco, é um deleite financeiro, com tacos custando menos de um dólar, e uma fartura de opções entre quesadilas, enchiladas, burritos e companhia jamais excedendo 5 dólares por refeição. As ruínas antigas variam de preço com base em seu poder de atrair turistas e no uso ou não de guias. As mais populares como Chichen Itza, Palenque e Tikal custam em torno dos 360 pesos (30 dólares). Um guia pode levar esse valor para perto dos 1200 pesos (100 dólares). Ruínas menos populares implicam em preços menos abusivos.

Minha viagem pelo México começou em Cancun, onde me hospedei em dormitório do hostel Mundo Joven, no entro da cidade, pagando 120 pesos (10 dólares). Embora Cancun, como outras cidades-resorts, foi construída para ser desfrutada a partir de hotéis de luxo, o transporte público ligando o Centro aos hotéis é da melhor qualidade e de valor irrisório.

A mais hospitaleira, embora ainda turística, cidade de Playa del Carmen possui uma variedade maior de hotéis entre os dois extremos de hostel e resort. Aproveitei o baixo custo dos meus dias para ficar em um quarto privado no Hostel Playa, pagando 360 pesos (30 dólares) por noite. A cidade é pequena, de maneira que você nunca vai precisar subir num meio de transporte, a não ser para visitar a ilha de Cozumel.

Ainda na costa do Caribe, Tulum é uma quase-cidade sem atrativos, exceto pela proximidade de praias e ruínas. Eu me hospedei na Mama’s House, em um dormitório ao custo de 150 pesos (13 dólares). O detalhe de Tulum é que não há transporte público entre o centro da cidade e as praias a três ou quatro quilômetros de distância, ficando o visitante a depender de taxis que tiram o devido proveito da situação. Mas alguns hostéis oferecem bicicletas.

Para visitar Chichen Itza, há duas opções: usar Valladolid como base e tomar um ônibus de meia hora até o sítio (cama de dormitório no Hostal del Fraile por 150 pesos (13 dólares)) ou se hospedar em um dos hotéis na estrada que serve de caminho para o sítio (quarto privado no hotel Dolores Alba por 660 pesos (55 dólares).

Mérida, minha primeira experiência propriamente mexicana, é facilmente percorrida a pé e conta com um grande número de atividades gratuitas. Eu me hospedei em dormitório no Nomadas Hostel, um dos mais agradáveis dessa lista) por 130 pesos (11 dólares). Agradável foi algo que o hostel de Palenque não foi e eu teria procurado outra opção se tivesse a chance. De qualquer forma, o Hostel Yaxkin, com um quarto privado por 300 pesos (25 dólares) cumpriu seu propósito.

Eu simplesmente não passei tanto tempo na Guatemala para ser capaz de me aprofundar muito em seu contraste com o México. Obvviamente, há muito de semelhante, mas também há diferenças claras em termos de infra-estrutura nas cidades, qualidade das estradas, tradição culinária, etc. E há grande beleza no lugar. E há consciência e orgulho disso.

Minha passagem pela Guatemala se limitou a duas cidades: Flores, onde me hospedei em dormitório de 60 quetzals (7 dólares) no Hostel Chaltunha (pronuncia-se Xal Tun Rá), outra jóia dessa lista; e Antigua, também em dormitório em um lugar conhecido simplesmente como El Hostal, pela bagatela de 80 quetzals (10 dólares).

Meu retorno ao México começou pela mais bela cidade mexicana de San Cristóbal de Las Casas, em um dormitório no hostel Puerta Vieja por 110 pesos (9 dólares). San Cristóbal, como as outras cidades citadas, não necessita nada além que um par de pernas para ser explorada de cima abaixo, mas tem o atrativo de ser um polo gastronômico como poucos no meu roteiro. Oaxaca, por sua vez, não me agradou tanto, mas só tenho elogios para o hostel Azul Cielo, com uma cama em dormitório por 140 pesos (12 dólares). Puebla é uma cidade adorável e o mesmo vale para o hostel Casona Poblana, em que uma cama de dormitório custa 150 pesos (13 dólares).

A Cidade do México foi a primeira em que táxis e metrôs foram necessários, mas ao mesmo tempo é uma cidade muito gostosa de se caminhar. Uma cama num dormitório no StayInn Barefoot Condesa custa 180 pesos (15 dólares), e foi uma das melhores experiências que eu tive até agora, incluindo várias opções de bares e restaurantes na vizinhança.

Se o metrô da capital é extenso, o de Guadalajara é ridículo. Juntando isso a ter escolhido um hostel mais distante do centro, eu dependi um pouco demais de taxis. Felizmente, o que há de melhor para se conhecer na cidade cobre uma área bastante compacta. E um quarto privado por 240 pesos (20 dólares), no Blue Pepper Hostel, é uma barganha.

Finalmente, apesar de ter encontrado um hostel nos padrões de preço e qualidade dos anteriores em Puerto Vallarta, eu me dei ao luxo de um quarto privado (e enorme) no Hotel Lily por 400 pesos (33 dólares). O custo benefício do hostel teria se diluído consideravelmente em repetidos translados entre ele e a praia (a mais de meia hora de distância), o que tornou a escolha de um hotel há poucos metros da areia uma das melhores decisões que eu tomei.

Eu não vou me demorar em nenhum outro país tanto quanto me demorei no México. isso me torna um melhor entendedor da cultura mexicana do que da de outros lugares? Esse foi um dos maiores dilemas por que passei ao montar um itinerário e cada vez mais eu me dou conta que o contato com culturas diferentes é algo subjetivo demais para ser medido por períodos de tempo. Certamente, terei chance de escrever sobre isso no futuro.

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