Que vai em frente sem nem ter com quem contar.

As cidades mexicanas começavam a adquirir dimensões maiores a medida que eu deixava o sul. Minha apreciação de Oaxaca foi um tanto comprometida por Montezuma, e eu comecei a ser mais reticente e seletivo quanto a onde fazia minhas refeições. Ser uma cidade grande traz seus custos à qualidade de vida e a miséria humana, a mais sutil e a mais óbvia, estão bem expostas para quem tem olhos para enxerga-la. O fato é que Oaxaca não me marcou de nenhuma maneira significativa. Talvez por eu não estar em minha melhor forma e não ter aproveitado a idade em tudo que tinha a oferecer, talvez porque o que a cidade tem a oferecer de mais interessante outras cidades por onde eu passei o fazem melhor.

Duas coisas se destacam em Oaxaca. A primeira é Monte Alban (primeiro nome: Ricardo, hehehe), as ruínas zapotecas que são a maior atração turística da região, a cerca de meia hora da cidade. Mas da mesma maneira que meus dias após Machu Picchu sofreram de um certo anti-clímax, o mesmo ocorre com ruínas mexicanas pós-Tikal. A segunda é o seu jardim etnobotânico, que, se não foi a tarde mais emocionante que eu já tive, valeu a pena e foi certamente algo fora do usual. Fora isso, como em qualquer cidade em que abunda pobreza, abundam também igrejas, ostentando riquezas e promessas vazias.

Numa viagem, como em qualquer outra situação, nós não vemos as coisas como elas são. Nós as vemos como nós somos. Ao chegar a um novo lugar, o que se destaca para mim, as coisas que me chamam a atenção, se baseiam na minha história de vida, nos meus gostos e preferências. Há lugares e situações que me chamam a atenção que sequer registram no radar de outras pessoas, da mesma maneira que há coisas que para outros são de extrema beleza e que não ocupam mais do que alguns segundos da minha atenção. Um exemplo do primeiro caso: pequenas atitudes e comportamentos de pessoas que passam na minha frente todos os dias e cujo significado eu me vejo ampliando muito além do trivial e enxergando algo de significativo e revelador. Um exemplo do segundo caso: eu sou capaz de concordar com alguém que esta árvore ou aquelas flores são belas e eu dou valor à natureza como um conceito abstrato, mas se eu vou tirar minha câmera da mochila para registrar uma árvore por que passei, ela teria que estar falando algo de muito relevante.

Minha última escala antes de chegar a capital me impressionou de maneira bem mais positiva que Oaxaca. E pensar que, por muito pouco, eu quase não passei por Puebla.

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