Invento o cais e sei a vez de me lançar.

Cruzar a fronteira do México com a Guatemala envolveu tomar um coletivo de Palenque às seis da manhã, trocar o coletivo por um barco quatro horas depois no rio que divide os dois países, subir o rio por uns quarenta minutos e, finalmente, tomar outro coletivo por mais quatro horas até Flores. Soa desagradável, não soa?

Bem, coletivos não são ônibus. Mais se assemelham a lotações brasileiras. São pequenos, apertados, lotam rapidamente e não contam com nada que se assemelhe a um banheiro. O Barco en questão é nada mais que a versão aquática de um coletivo: uma grande balsa de madeira tentando conter uma dúzia de pessoas e suas bagagens. Soa cansativo e desconfortável?

E se eu disser que é possível notar as diferenças entre México e Guatemala já nos primeiros passos no novo país? Enquanto nós deixamos a margem mexicana a partir de um cais, o lado guatemalteco era simplesmente um canto da margem sem muitas árvores. Enquanto as estradas mexicanas podiam ter alguns trechos necessitando de melhorias (o número de buracos aumentava a medida que se chegava na fronteira), nosso trajeto de quatro horas na Guatemala foi feito quase por inteiro em estradas de terra. Nas palavras do condutor: “Mantenham todas as janelas abertas. A poeira vai entrar de um jeito ou de outro, mas se as janelas estiverem fechadas, ela não vai sair.” Soa sujo e trabalhoso?

Talvez tenha sido tudo isso. Eu brincava com o pessoal que, quando o dia começou eu era um escandinavo vestido de branco… mas só tem graça se eu explicar que eu estava vestindo preto e que, obviamente, eu não sou escandinavo. Talvez tenha sido tudo isso, mas eu só posso dizer que não senti o tempo passar, que cada etapa foi feita com muito bom humor e que eu não conseguia me livrar da sensação de que esse, exatamente esse, era o tipo de viagem que eu tinha em mente quando essa ideia toda começou. Foi trabalhoso, foi sujo, foi cansativo, foi desconfortável, mas, ao invés de desagradável, foi algo revigorante.

Eu cheguei em Flores me sentindo fantástico e, depois de uma última balsa de cinco minutos até a margem do lago (Flores é uma cidade-ilha) eu fui brindado com uma vista tão incrível vista do hostel, com um por do sol tão perfeito e com uma paz de espírito tão absoluta que, horas e horas depois, eu ainda não conseguia desviar os olhos da água, das luzes e do céu. Ah, se todo dia fosse desconfortável assim!

2 opiniões sobre “Invento o cais e sei a vez de me lançar.

  1. Fotos!! Cadê fotos!!! Oiê! Estou de volta! Fiquei um tempo sem ler seus posts, mas agora estou me atualizando. Tenho novidades…. Baby a vista… Cecília terá um irmãzinho ou será uma irmãzinha???

  2. Quem te viu, quem te vê! Parabéns pela superação!
    Também quero ver fotos dessa cidade ilha que fez esse trajeto todo valer a pena… Bjs

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