Para todo mal, a cura.

“A felicidade só é verdadeira quando compartilhada.” Chegando perto dos dois meses de viagem, eu sou surpreendido constantemente durante o dia por dois sentimentos: uma grande saudade de família e amigos e uma grande alegria quando, andando na rua, eu me dou conta de onde eu estou e de que (até agora) eu fui capaz de tornar realidade o que foram meses de planejamento, dilemas e escolhas. A saudade, quando me ataca, é a saudade de rostos, risadas, vozes, momentos, mas ela nunca me leva a querer voltar para casa, mas sim a querer trazer as pessoas que eu amo para o meu lado para compartilhar o que eu tenho vivido.

Mas, se há saudades, não há solidão. Cada escala que faço, cada cidade por que eu passo, ainda que por uns poucos dias, me traz um círculo de amizades, uma rotina de atividades, uma familiaridade com as ruas. eu nunca me despedi com tanta frequência, mas eu também nunca me senti tão aberto a pessoas e experiências. (Embora ainda haja espaço para melhora.) Por mais que me desagradem generalizações, é quase inevitável pensar sobre o quanto me agradam os alemães, quão amigáveis parecem ser os israelenses, quão calorosos os canadenses… e outros adjetivos menos lisonjeiros em outros casos. É claro que o simples fato de estarmos todos no estrangeiro já nos coloca numa categoria à parte. Eu não posso colocar todos os americanos atrás de um mesmo rótulo, mas eu me sinto mais seguro em dizer que todos os americanos hippies minimalistas de cabelos grisalhos e rabo de cavalo a caminho de Belize para fazer trabalho voluntário são pessoas da melhor qualidade.

Não havendo solidão, o que há, de vez em quando, é uma sensação de isolamento e distância, consequência natural da ausência dos rostos conhecidos ao meu redor; e uma certa ansiedade consequência de não saber como as coisas estão em casa e, em particular, de não saber de que maneira a família está lidando com minha ausência. Dois de meus irmãos não tem facebook (meu principal meio de contato hoje em dia, além de e-mails), minha mãe não responde a qualquer mensagem enviada pelo site e ocasionais e-mails paternos, ainda que calorosos, não são capazes de me livrar da impressão de que eu talvez esteja desapontando. Ana, eu espero, não se desaponta. Gabriela, eu espero, ainda se lembra de mim.

De minha família estendida, dos quais tenho notícias mais regulares, persiste a vontade de saber sobre trabalhos senegaleses, planos de viagem, cursos de fotografia, editais de convocação e uma infinidade de pequenos detalhes que constituem o dia a dia de uma pessoa querida. Quanto falta pra completar o projeto que uma se propôs a fazer, quantos cães uma recolheu na rua esse mês, quantas vezes outra cortou o cabelo essa semana, como melhora o joelho de outra, como formigas festejam o carnaval?

Talvez um dia desses, quando eu estiver distraído, a solidão se aposse de mim de súbito e eu precise lidar com ela. Até lá, no entanto, lidar com o isolamento, a ansiedade e a saudade é mais fácil do que eu poderia prever: eu só fecho os olhos e percebo que as pessoas que eu amo, eu as carrego comigo onde quer que eu vá.

3 opiniões sobre “Para todo mal, a cura.

  1. Oi! Eu não tenho facebook mas tô aqui todo dia. Tô te acompanhando e muito feliz de ver que você tá botando em prática tudo o que planejou.
    Hoje tô aqui no Recife. Vim com Mário pra formatura da Gisa. Ontem, na festa, tios Luiz Otávio e Petrúcio perguntaram de vc. Tio Petrúcio já até sabia que vc tá no México…
    Que email vc tá usando?
    Dá uma olhada no site: http://www.icasei.com.br/camillaemariosergio
    Bjs!

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