E todo caminho deu no mar.

Todo mundo que já visitou Porto de Galinhas conhece bem a sensação de estar desfrutando de uma praia paradisíaca, sem uma preocupação no mundo, se deixando ninar pelo barulho das ondas, quando de repente a triste verdade surge na forma de um pensamento inescapável: minha vida seria perfeita agora, se ao menos essa praia incluísse um sítio arqueológico. Foi buscando suprir essa lacuna que os Maias criaram Tulum, unindo a delícia que é visitar ruínas de cidades antigas com a beleza de um mar esmeralda ao fundo.

Hoje, a pequena cidade de Tulum segue o padrão de tantas outras, sendo claramente dividida entre a praia (com seus hotéis e cabanas) e o centro (com seus restaurantes turísticos e lojas de souvenires). Sua avenida principal é nada mais, nada menos que a auto-estrada de acesso à cidade, cujo único atrativo está na sua proximidade de ruínas maias, cenotes e praias. Se por um lado, eu ainda não sinto que cheguei em um México propriamente dito, já deixei para trás os dias em Cancun em que meus cafés da manhã se davam ao som de Led Zeppelin (adoro me sentir dazed and confused, mas não às nove da manhã) em favor de noites de enchilladas e música local.

Os dias passaram como um borrão. Reencontrei alguns amigos de albergues passados, fui banquete para mosquitos, e ganhei o título de brasileiro mais chato de todos os tempos, devido ao meu desinteresse por futebol, caipirinhas e carnaval. Mas enquanto alguns apreciavam seu futebol, eu compartilhava um vinho chileno com um grupo de alemães (depois de meia hora tentando abrir a garrafa sem abridor), de maneira que o título não me parece de todo mal.

Minhas tardes foram arruinadas, no melhor dos sentidos, nos sítios arqueológicos de Tulum e Cobá. Se o destaque do primeiro está em sua proximidade da costa (incluindo uma pequena praia acessada a partir das ruínas), eu devo confessar que o segundo me agradou bem mais, não só por incluir minha primeira pirâmide e a primeira vez (e provavelmente a única, convenhamos) que escalei uma pirâmide, mas por um cenário que me deixava com a impressão que Indiana Jones fosse aparecer a qualquer momento, fugindo de alguma pedra rolante.

De Tulum, parto para uma escala rápida em Valladolid e sigo para Chichen Itza, minha quarta “nova maravilha do mundo”. Eu preciso começar a fazer listas… só pra ter o gosto de riscar itens dela.

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