E com cinco ou seis retas, é fácil fazer um castelo.

É quase inevitável, numa viagem, se classificar cidades em categorias. Existem aquelas cidades que sabem o quanto são especiais, sabem que vão ser visitadas por gente de todo lugar, não sentem a menor necessidade de sair de suas rotinas para agradar um turista e, se sentissem, não o fariam. Podem ter suas lojas de souvenires e seus ônibus turísticos, mas não deixam que isso lhes defina. Paris, Londres, Nova York, as maiores cidades do planeta entram nessa categoria.

Existem as cidades que, por serem bastante visitadas, se adaptam ao fato e buscam tirar proveito (financeiro) disso. Espero ser capaz de descobrir algum exemplo em que esse proveito tenha trazido ganhos para a cidade e sua população, mas todos os exemplos que me vem à cabeça variam entre resultados negativos (o centro de Cusco é lindo, mas saia do centro e a miséria é evidente) e desastrosos (alguém já ouviu falar nas Maldivas?). E existem as cidades que vivem inteiramente em função do turismo, não raro de uma única atração turística. Quer existissem antes disso acontecer ou tenham surgido como consequência do turismo, essa é sua razão de existir e não veem qualquer motivo para esconder o fato. Águas Calientes é um exemplo, e eu imagino (embora não tenha qualquer intenção de descobrir na prática) que Orlando não fuja muito disso.

A cidade de Nasca, minha última escala peruana, existe em função das Linhas de Nasca. Obviamente, todos que vem aqui, vem com um único objetivo. E quem vive aqui vive do turismo, direta ou indiretamente… As Linhas de Nasca não estão somente ali a alguns quilômetros da cidade, elas estão nas calçadas e bancos de praça e pontos de ônibus, em muros e no prédio da prefeitura. Uma caminhada pela cidade vai encher seus olhos com desenhos de macacos, condores, aranhas e rouxinóis. E você vai agradecer, por que não há qualquer outra coisa para se ver. Ou fazer.

Em minha primeira manhã na cidade, eu reservei um voo sobre as Linhas com uma das dezenas de agências disponíveis e passei meia hora num cessna com outros três passageiros tentando discernir os desenhos no chão e não perder meu café da manhã enquanto o pequeno avião fazia suas manobras para garantir que todos os passageiros conseguissem uma boa visão dos símbolos mais populares. Os desenhos são mais discretos do que se pode imaginar através de fotografias, tanto em tamanho quanto em destaque do restante do terreno, mas uma vez que você os percebe, você não consegue mais deixar de percebe-los. Valeu a pena? Muito! É algo impressionante de se ver. E eu ouvi menos teorias sobre alienígenas do que esperava. Mas eu confesso que nos últimos minutos, já percorrido todo o trajeto e no retorno para a pista de pouso, tanto ziguezague cobrou seu preço e eu pude sentir minha pressão caindo e o suor frio cobrindo minha testa e eu fiquei muito feliz quando tocamos o chão.

E tendo visto as Linhas pela manhã, eu agora posso usar minha tarde para conhecer o… hmm… bem, eu posso visitar a… hããã… hmm… e não posso esquecer de passar pelo… errr… bem, nada como um bom livro, não é verdade?

Segunda-feira, de volta a Lima.

Terça-feira, tequila!

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